O CNPq publicou a Chamada Pública nº 29/2026, conhecida como RHAE IA 2026. O programa apoiará microempresas, empresas de pequeno porte e startups no desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial alinhadas à Nova Indústria Brasil (NIB) e ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).

A chamada dispõe de R$ 50 milhões e permite solicitar até R$ 300 mil em bolsas de fomento tecnológico por projeto. As propostas podem ser enviadas até 9 de outubro de 2026, e os projetos podem ter duração de até 30 meses.

A empresa também deve oferecer uma contrapartida mínima equivalente a 20% do valor solicitado em bolsas. Essa contrapartida pode ser financeira ou não financeira, desde que seja necessária ao projeto, economicamente mensurável e demonstrável.

A chamada pode ampliar a capacidade de pesquisa e desenvolvimento das empresas brasileiras. Preparar uma proposta exige tempo, e a decisão de participar não deve ser tomada apenas porque há recursos disponíveis.

Encontro relacionado

RHAE IA 2026: requisitos, oportunidades e avaliação da proposta

Encontro com José Martini, realizado em 24 de agosto de 2026. A gravação registra a leitura da chamada na data do evento. Abrir no YouTube ↗

A aderência ao edital

Além dos critérios formais de elegibilidade, a chamada exige que a inteligência artificial tenha uma função relevante no projeto.

O grau de aderência à temática de IA e ao Eixo 4 do PBIA é o critério de maior peso na avaliação, seguido pela aderência a uma ou mais missões da NIB. Projetos nos quais a IA aparece apenas como recurso complementar ou argumento para enquadramento perdem força.

Antes de iniciar a submissão, responda a cinco perguntas.

1. A empresa atende aos critérios formais?

Leia a chamada completa e confirme todos os requisitos de elegibilidade.

Verifique, entre outros pontos:

  • o enquadramento da empresa;
  • o vínculo formal do proponente com a empresa executora;
  • a atualização do currículo Lattes;
  • o limite financeiro e a duração do projeto;
  • as modalidades de bolsas permitidas;
  • as condições aplicáveis aos bolsistas;
  • a contrapartida exigida;
  • a documentação necessária.

Uma proposta tecnicamente interessante pode ser eliminada por uma falha formal.

2. Qual produto ou processo será desenvolvido ou melhorado?

A proposta precisa apresentar um resultado prático.

Defina qual produto, processo ou código será criado ou melhorado, qual problema empresarial ele resolve e quem utilizará o resultado. A chamada financia projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação com aplicação no setor produtivo.

Se o resultado ainda estiver descrito apenas como "desenvolver uma solução de IA", o projeto precisa de mais definição.

3. Por que a inteligência artificial é necessária?

A IA deve ter uma função clara na solução proposta.

Explique quais dados serão utilizados, que tipo de resultado o sistema deverá produzir e por que outras abordagens não atenderiam ao problema da mesma forma. Previsões, classificações, recomendações e decisões automatizadas são exemplos possíveis, desde que façam sentido para o projeto.

Incluir IA apenas para adaptar uma ideia à chamada tende a produzir uma proposta fraca. Se o projeto não depende de IA, pode ser mais adequado buscar outro instrumento de fomento.

4. Quais profissionais são necessários?

A equipe e as bolsas solicitadas precisam ser coerentes com os objetivos, as atividades e as metas do projeto.

Defina:

  • quais competências técnicas serão necessárias;
  • quantos bolsistas participarão;
  • qual modalidade de bolsa corresponde a cada função;
  • em que etapa cada profissional atuará;
  • quais entregas estarão sob sua responsabilidade.

O plano de bolsas deve refletir o trabalho que será realizado. Uma equipe genérica ou superdimensionada reduz a consistência da proposta.

5. Como será definido o sucesso do projeto?

A proposta precisa mostrar o resultado esperado ao final do período de execução.

Pergunte:

  • qual produto ou processo deverá existir;
  • qual desempenho será alcançado;
  • que evidência demonstrará esse desempenho;
  • qual será a evolução de maturidade tecnológica;
  • como o resultado será aplicado ou comercializado;
  • quais indicadores permitirão avaliar o projeto.

A definição de sucesso deve apontar para uma melhoria observável e verificável.

Organize o projeto em uma página

Depois de responder às cinco perguntas, reúna em uma página:

  • o problema empresarial;
  • o produto ou processo que será desenvolvido;
  • o resultado esperado;
  • o nível atual de maturidade tecnológica;
  • a evidência que demonstrará o sucesso;
  • a equipe necessária;
  • a função da IA;
  • a aderência ao PBIA;
  • a missão da NIB relacionada ao projeto;
  • a oportunidade de mercado.

Se essas informações ainda não couberem em uma página clara, a prioridade deve ser estruturar melhor o projeto antes de preencher o formulário.

Três dimensões da proposta

Uma forma prática de avaliar a consistência do projeto é observar três dimensões:

Risco tecnológico: qual incerteza técnica precisa ser resolvida e que avanço será necessário?

Capacidade de execução: a empresa, a equipe e os bolsistas possuem condições para realizar o trabalho proposto?

Mercado potencial: existe um problema relevante, uma aplicação definida e uma oportunidade de uso ou comercialização?

Essas dimensões ajudam a organizar critérios presentes na chamada, como viabilidade técnica, econômica e mercadológica, perfil da equipe, grau de inovação e potencial de impacto.

A proposta precisa mostrar que existe uma incerteza tecnológica legítima, uma equipe capaz de enfrentá-la e uma aplicação empresarial relevante.

Gravação sobre o RHAE IA 2026

A Launchpad realizou em 24 de agosto uma live sobre o edital: quem pode participar, quais projetos se enquadram e como as propostas serão avaliadas.

Assistir à gravação

Próximo passo

A escrita estrutura a proposta com a empresa; o LaunchScore avalia uma versão já preparada antes da submissão.

Ver escrita e revisão de projetos