Empresas que desenvolvem máquinas, equipamentos e sistemas para a agricultura familiar têm uma nova chamada para avaliar. A Finep CooperaMais Brasil Tecnologias — Empresas prevê pedidos de R$ 5 milhões a R$ 20 milhões à Finep por proposta, com orçamento de até R$ 120 milhões em recursos não reembolsáveis. Os valores estão no Anexo 1, itens 4 e 5.
O foco é financiar o desenvolvimento de produtos e processos inovadores adaptados à realidade dos pequenos produtores. Isso inclui mecanização, beneficiamento da produção e soluções para pesca artesanal e aquicultura familiar. Para uma empresa de engenharia ou tecnologia, a primeira avaliação é a correspondência entre o produto que pretende desenvolver, o problema do produtor e uma das quatro linhas da chamada.
Quatro linhas para desenvolver tecnologias
As linhas abaixo são descritas no Anexo 1, item 2. Os exemplos ajudam a identificar a proximidade entre o escopo da chamada e o desenvolvimento pretendido.
1. Tratores de pequeno porte e implementos
A primeira linha trata de um trator subcompacto, de 15 cv a 25 cv, de baixo custo e adequado à agricultura familiar. A proposta tecnológica deve permitir arrastar ou carregar implementos de preparo do solo e manejo que hoje exigem potências superiores.
Também podem fazer parte do desenvolvimento materiais que reduzam peso e custo, implementos dedicados e nacionalização de componentes essenciais. O problema de engenharia envolve combinar capacidade de trabalho, custo e dimensões compatíveis com essa escala de produção.
2. Máquinas para plantio e colheita
A segunda linha contempla o desenvolvimento ou a adaptação de máquinas autopropulsadas de pequena escala e baixo custo. O anexo cita plantadeiras e colheitadeiras para café, grãos, tubérculos, raízes e frutas, incluindo mandioca, batata-doce, caju, cacau e açaí.
Também há espaço para plantadeiras de sementes e mudas em sistemas de plantio direto de hortaliças e sistemas agroflorestais. Empresas com competências em máquinas agrícolas podem examinar como adaptar mecanismos, dimensões e operação às culturas e às condições dos produtores que pretendem atender.
3. Processamento e beneficiamento
A terceira linha apoia sistemas modulares para transformar a matéria-prima agrícola em produto beneficiado. A intenção é agregar valor na origem, reduzir perdas depois da colheita e ampliar a participação das comunidades produtoras nas etapas de processamento.
Aqui, o projeto precisa conectar a solução técnica à escala da produção. Capacidade de processamento e adequação à matéria-prima local são elementos úteis para explicar por que o sistema proposto atende à agricultura familiar.
4. Aquicultura e pesca artesanal
A quarta linha reúne embarcações mais leves, resistentes e de baixa manutenção; equipamentos para conservação e rastreabilidade do pescado; e tecnologias para a cadeia de frio.
O anexo inclui caixas isotérmicas mais eficientes, refrigeração de baixo consumo, transporte refrigerado, monitoramento e soluções com energia solar. Também prevê o desenvolvimento nacional de equipamentos compactos de rastreamento de embarcações, integráveis ao PREPS, programa de rastreamento pesqueiro por satélite. Essa frente aproxima competências em materiais, refrigeração, eletrônica e comunicação das necessidades da pesca artesanal.
Quanto pode ser solicitado e como montar o orçamento
O intervalo de R$ 5 milhões a R$ 20 milhões corresponde à parcela solicitada à Finep. A proposta também inclui contrapartida financeira da empresa. O percentual mínimo considera o porte da empresa ou do grupo econômico de maior porte, conforme o anexo, e incide sobre o valor total da proposta. Anexo 1, itens 5 e 6.
| Porte da empresa | Contrapartida mínima sobre o total |
|---|---|
| Microempresa e empresa de pequeno porte | 2% |
| Pequena empresa | 4% |
| Média empresa I | 10% |
| Média empresa II | 15% |
| Grande empresa | 25% |
O prazo de execução é de até 36 meses. Do orçamento da chamada, há destinação mínima de R$ 36 milhões a projetos cujas principais atividades ocorram no Norte, Nordeste ou Centro-Oeste. Anexo 1, itens 4 e 7.
A parceria com cooperativas faz parte do projeto
A proposta deve ser apresentada por empresa brasileira em parceria efetiva com cooperativa inscrita no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), com pelo menos 70% dos cooperados agricultores familiares com CAF ativo. O arranjo inclui carta de manifestação de interesse e previsão de recursos para testes de campo e reuniões anuais. A colaboração com Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) é desejável. Regulamento, item 2, e Anexo 1, item 3.
Essa conexão ajuda a definir preço-alvo, capacidade e condições de operação. O anexo exige explicitar como a tecnologia se adapta à agricultura familiar e prevê atingir, no mínimo, o TRL 7, com demonstração do protótipo em ambiente operacional e ensaios de campo. Anexo 1, itens 1 e 2.
Por onde começar
Antes de detalhar o orçamento, vale reunir a descrição do produto, a linha temática correspondente e a cooperativa com a qual serão realizados os testes. Em seguida, explicitar o avanço tecnológico pretendido, o que ainda precisa ser desenvolvido e como o resultado será demonstrado em campo.
O regulamento estabelece envio até 30 de abril de 2027, às 17h, horário de Brasília, em fluxo contínuo. A avaliação pode ser interrompida se os recursos forem integralmente comprometidos. Regulamento, itens 6.3 a 6.5.
Informações conferidas em 23 de setembro de 2026, a partir do regulamento e do Anexo 1 disponíveis na página oficial da chamada.
Converse sobre o enquadramento do seu projeto
Se sua empresa desenvolve uma solução para uma dessas linhas, envie à Launchpad uma descrição da tecnologia, seu estágio atual e o público que pretende atender.
